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terça-feira, 24 de março de 2009

Meio século de pretensão - MILTON RIBEIRO

12 Comments on “Meio século de pretensão”




#1 Gilberto Agostinhoon Mar 23rd, 2009 at 1:02 am
Texto genial, Milton. Apesar da minha pouca idade, eu me senti realmente tocado. Minha figura paterna, que sempre me lembra o Comendatore mozartiano, me veio à mente. Se você soubesse de cada história que eu já tive de encobrir…
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miltonribeiro Reply:March 23rd, 2009 at 9:23 am
De certa forma, Gilberto, este texto é para ser lido por jovens ou por pessoas de meia idade que esqueceram totalmente como é ser jovem.
Amadurecer é bom, esquecer é péssimo e gera intolerância.
Abraço.
P.S.- Vou lá praguejar um pouco.
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Gilberto Agostinho Reply:March 23rd, 2009 at 10:09 pm
Eu achei o texto realmente ótimo, Milton. Senti algo como quando li o Estrangeiro, do Camus. Ambas histórias são tristes e lástimáveis, apesar de me identificar com diversos aspectos dos personagens e, o pior de tudo, me sinto impotente para fazer qualquer coisa contra isto. Este é um dos grandes problemas contemporâneos, penso: somos demais esclarecidos, e por isto não conseguimos nos agarrar a nada. Condenamos a religião, mas desejamos uma segurança existencial, ao mesmo tempo que condenamos a racionalidade - mas não nos permitimos sermos demais emotivos; nos apegamos à arte, mas sabemos que mesmo a defesa mais hábil desta está baseada em vicissitudes; podemos convenser muita gente, mas não nos convencemos mais… não acreditamos que nossos trabalhos sejam os mais importantes nem que nossas vidas foram trilhadas pelo único caminho correto. Único caminho? Somos relativistas, somos ‘livres’. E, na minha opnião, o preço da liberdade é muito alto. Eu já não tenho forças para condenar a existência de tipos como este, como meu pai, e não por falta de paciência para discutir, mas por não conseguir acreditar que vivo de uma maneira mais legítima do que eles.
Mudando drasticamente de assunto, obrigado por Praguejar! Estou contente com o feedback do primeiro post, muita gente andou por lá já!
Grande abraço!
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miltonribeiro Reply:March 23rd, 2009 at 11:12 pm
Excetuando aquela tola citação a “O Estrangeiro”, deveria deletar todo o restante do teu comentário, Gilberto.
Motivo: é mais inteligente e sensível que o post. Eu deveria impedir vcs de serem melhores do que eu!
:¬)))
Tu desfiaste tantos fatos contraditórios que quase fiquei zonzo. Eu, cada vez que me interesso por alguma coisa, logo penso em como criar ficção em cima. Nossa!, cada um dos teus “mas” (há um “e por isto”) correspondem a ouro puro. Não adianta apenas condenar e apontar a decadência, há que se refletir sobre seus motivos e acho que tuas observações são um belo ponto de partida.
Abraço e obrigado.

#2 MARCCUSon Mar 23rd, 2009 at 11:12 am
TAI O ÓDIO VISCERAL CONTRA O GREMIO, O MAIS ODIADO DO PAÍS, EHEHE, POR QUASE TODA A VIDA , MAIS DE VINTE E OITO ANOS SOFREU COMO UM CACHORRO DE RUA NAS MÃOES DO TRICOLOR, VIU VIZINHOS, PROFESSORES, AMIGOS, PARENTES DEITAREM E ROLAREM POR DÉCADAS A FIO COM OS MAIORES TÍTULOS QUE UM TIME PODE TER…E NÃO SÓ UM TÍTULO MAS DOIS…BILIBERTADORES..OS ONCECALDIANOS SÃO UNS POBREZINHOS…DIA 18-07-2009..CEM ANOS DE GRENAL..E SABE QTO FOI O SEGUNDO GRENAL? DEZ A UM…E O TERCEIRO…9 A ZERO E POR AÍ FOI …DAÍ TAMBÉM O ÓDIO QUE SE FORJOU NO NASCIMENTO DO COIRMÃO …EHEHE O TIME DA PIADA PRONTA
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miltonribeiro Reply:March 23rd, 2009 at 12:35 pm
Este comentário não deveria estar noutro post?
:¬)))
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#3 marcos nuneson Mar 23rd, 2009 at 12:07 pm
O tempo vai acomodando camadas geológicas, e nós vivemos como se ele fosse capaz de fazer a mesma coisa conosco. Construímos teorias que sustentam visões etapistas da vida e da história, conformamo-nos diante das contingências cujas teias não fazem de um sujeito nada além de um nó que, afinal, sustenta o tecido urdido para conservar, embora a cada dia se esgarce, e em cada rompimento apareça alguém disposto a cerzi-lo com a mesma linha já desgastada - e isso conforta, embora continue a pingar.
Essa tua visão panorâmica com binóculos retrata, certamente, não uma geração, mas uma vertente que percorre a história com a promessa da sovrevivência de uma mediocridade celebrada como genialidade, o que me traz à lembrança, ao olhar para o espelho e encontrar, nele, traços do mundo inteiro em meus olhos, o quanto é injustificável, nesses termos, a paisagem humana tendente a esgotar a si mesma, falida por ausente o impulso à criação verdadeira, que é aquela que agrega mais que destrói, ou nunca o faz, ao menos sem a certeza de que a destruição só é devida àquilo que já se encontra definitivamente morto, pois, tantas vezes, os meio-vivos ou zumbis voltam, e voltam em nós mesmos.
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miltonribeiro Reply:March 23rd, 2009 at 5:32 pm
Sim, Marcos, acho que este é um fenômeno geral que pode ser mais ou menos acelerado.
É estranho como boa parte dos seres humanos tendem não preservar sua inteligência. Seria de esperar que à inteligência viesse agregar-se a experiência, mas às vezes parece haver uma substituição…
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marcos nunes Reply:March 23rd, 2009 at 6:51 pm
O maior problema é que a experiência nos ensina que a inteligência não nos valerá de muita coisa: 1) diante daqueles que tem um QI (Quem Indicou) mais relevante; 2) diante do que a inteligência tem, por experiência, ciência das limitações de ambas no bojo de um processo repleto de interdependências incogniscíveis.
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miltonribeiro Reply:March 23rd, 2009 at 7:23 pm
Bom material para eu pensar enquanto volto para casa.
Obrigado.

#4 Caminhanteon Mar 23rd, 2009 at 8:24 pm
Hoje eu sou a “titia”, mas durante muito tempo convivi apenas com pessoas pelo menos 10 anos mais velhas do que eu. Às vezes era muito chato, porque algumas pessoas desprezavam abertamente tudo o que eu ou qualquer pessoa da minha geração tinha para dizer - de viagens a questões técnicas, opiniões ou trocas de experiência.
Agora, como “tia”, eu percebo que a gente tem mesmo a tendência a olhar para trás e achar que já viveu tudo e já sabe de tudo. Ao mesmo tempo, isso gera tédio muito grande. Nos tornamos pesados, como alguém que morreu e só falta deitar. A juventude, nesse sentido, me parece uma capacidade de olhar para a vida com olhos virgens do que não ter vivido nada.
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miltonribeiro Reply:March 23rd, 2009 at 10:08 pm
Eu gosto de gente jovem. Sendo bem franco, afirmo que gosto até das cagadas…
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OBSERVAÇÃO: Edu,
eu acho que o Gilberto Agostinho acaba de fazer um comentário-post bem aqui:
http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/03/23/meio-seculo-de-pretensao/
Um espanto esse menino: 23 anos, aprendendo composição e regência em Praga, e agora tem uma coluna sobre a cidade:
http://opensadorselvagem.org/este-pais/praguejando/2
Olho nele!
Grande abraço(Pode me chamar de fiádaputa. Esqueci do dia 15...)
Milton Ribeiro

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