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sexta-feira, 13 de março de 2009

Trabalho Comunitário no MILTON RIBEIRO II

Trabalho Comunitário
Mar 12th, 2009
by miltonribeiro.

12 Comments on “Trabalho Comunitário”
#1 Gilberto Agostinho on Mar 12th, 2009 at 11:14 am
Ai ai, Milton, eu tinha um professor igualzinho a como você se descreve. Nunca expulsava ninguém da sala, mas deixava a gente aterrorizado com a possibilidade de humilhação pública. Todo mundo ficava mais ou menos quietinho, mas ele tinha que contar várias piadas durante o decorrer da aula. Uma vez ele conseguiu uma foto de uma menina gordinha que eu tinha tido um caso (eu devia ter uns 15 anos) e mostrou para todos na aula. Pois é, depois disso eu me tornei sócio-fóbico.
Sobre as Olimpíadas de Ciências, eu participei da de Física. Não é nada demais, são exames em várias fases e os finalistas ganham algum prêmio e são convocados para ir ao exterior participar de uma Olimpíada Internacional. Mas isso funciona muito mais para fazer este aluno que tem um interesse maior do que o comum em alguma destas áreas ganhar ainda mais gosto pela coisa, penso.
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miltonribeiro Reply:March 12th, 2009 at 11:30 am
Bom, eu nunca faria isso, Gilberto. É uma coisa pessoal e de modo algum eu ofenderia alguém deste modo. Em primeiro lugar porque acho muitíssimo agressivo e, em segundo lugar, porque numa dessas um deles vai querer bater em mim. A coisa é mais de longe, tem de ser. Imagina, meter-se na vida pessoal de um aluno! Tô fora.
Sobre as Olimpíadas: meus alunos tem enormes dificuldades financeiras e familiares. Sei lá como estudam. Acho admirável que alguns deles consigam refugiar-se nos estudos, buscando cursos, qualificação e até Olimpíadas. Como disseste, se o cara é inteligente, acaba ganhando gosto pela coisa. É só dar acesso. Aí é que mora o problema.
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#2 marcos nunes on Mar 12th, 2009 at 12:33 pm
Interessantes suas agruras e epifanias educacionais. Rachel passa por coisas assim, dando aulas para alunos de diversas origens sociais e níveis de escolaridade. Só não é matemática, que tem o seguinte agravante: as maquininhas de calcular. Eu, que fui de bom a excelente aluno de matemática, hoje só faço calculos (qualquer um!) no computador. Resultado: completa incapacidade de efetuar, de cabeça, as operações mais simples. Só não faço idéia do por que turmas de alunos de origem semelhante contarem com tão acachapante diferenciação de nível. Para Rachel, não há muito mistério: os alunos da universidade pública são sempre melhores, independentemente da classe social (e na UERJ cerca de 50% dos alunos são oriundos das classes C e D), enquanto os do ensino privado (com muitos alunos das mesmas classes acima, mais alguns da classe A e muitos da B) são poucos aqueles que possuem algum preparo. Finalizando, recomendo a leitura de Diário de Escola, de Daniel Pennac, novamente um quase-romance quase-biografia do autor, às voltas com seus alunos na periferia de Paris, com problemas idênticos àqueles que temos por comuns aqui no Brasil, mas teríamos por exceções no tal do “Primeiro Mundo”, mas não são.
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miltonribeiro Reply:March 13th, 2009 at 12:48 am
Eu faço de cabeça… Tive a sorte de sempre frequentar a universidade publica. Ah, e o colégio tb.
Li este Pennac. Gosto de seus livros.
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#3 Jean Scharlau on Mar 12th, 2009 at 2:18 pm
Milton, permita-me uma sugestão para teus alunos de terça, se é que já não a tentaste aplicar. Matemática (com seus números, contas, memorizações e fórmulas) costuma parecer à maioria das pessoas algo tão abstrato como música por escrito parece a mim. Eu só me interessei por matemática, física e outras ciências semelhantes quando percebi as aplicações, as relações carnais das mesmas com o mundo à minha volta. Assim, acho mais provável a possibilidade de interesse por parte dos alunos se a matemática for apresentada como uma interessante ferramenta que os ajude com e explique fatos e demandas do seu dia-a-dia, que os capacite a resolver os seus problemas práticos cotidianos e para isto seria precioso que eles colocassem quais seriam esses problemas ou situações que lhes pareçam complicadas. Na linha Paulo Freire. Acho que usar reais aplicados às necessidades e desejos deles, tipo comparar o preço de um tênis que eles cobicem, à vista e a prazo, a passagem de ônibus, o custo de uma refeição, a comparação disso com o salário, deste com o FGTS e o desconto do INSS. Coisas assim, onde os alunos possam ter o interesse pela matéria despertado e aí sim motivem-se a querer desvendar esses mistérios. Um abraço!
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miltonribeiro Reply:March 13th, 2009 at 12:51 am
Pois tu sabes que eu faço isso? Os cálculos de percentuais começam por eles comprando um tênis ou um mp3 no camelô e pedindo um desconto… Todo mundo entende, mas e o cálculo? É que vem sem nada da escola. Olha, não sei o que será desta geração. Falo dos absolutamente pobres, claro.
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#4 giselion Mar 12th, 2009 at 3:59 pm
Você é um otimista, acho quase corajoso ser professor no Brasil.Por essas e por outras histórias é que: http://suandonaneve.wordpress.com/2009/03/09/suando-leva-o-premio-arte-y-pico-valeu/bjs
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miltonribeiro Reply:March 13th, 2009 at 12:52 am
Puxa vida, muito obrigado!
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#5 flavia on Mar 12th, 2009 at 4:50 pm
Essa dinâmica concernente a cada grupo é um mistésrio.Milton. O humor é um grande instrumento pedagógico, e eu tenho defendido a proposta que ele seja usado como uma forma de abordar a sexualidade na escola, para além das aulas de biologia, exatamente pq, apoiada nas minhas pesquisas, acho que o humor é a forma privilegiada porque a cultura popular brasileira trata de temas da sexualidade. Tenho um artigo cujo título é algo como Genero, sexualidade e educação onde defendo isso. Mas ali tb digo, com Caetano veloso, que, ainda hoje, é sempre bom saber o que dizer e o que não dizer na frente das crianças (e adolescentes). Então tome cuidado meu amigo, e vejo que isso te preocupa quando refletes sobre apelidos. O bullying escolar é justamente uma das preocupaçoes dos educadores, que muitas vezes são grandes abusadores, e é uma forma de controlar comportamentos. Pode ser tentador como medida disciplinar, mas pega leve, Milton. Acho que o aluno tem que ter uma crítica ao comportamento inadequado á sala de aula, mas o professor tem que tomar cuidado para nao ser ele a promover o bullying, ou “zoação”.Mas eu sei, não é fácil, e a gente vai tentando com o que sabe e conhece…bj, f
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miltonribeiro Reply:March 13th, 2009 at 12:54 am
Exatíssimo, na veia mesmo, Flávia. Me preocupo com isso todos os dias, quando saio de lá. Sempre desconfio que fiz merda.
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#6 arbo on Mar 12th, 2009 at 7:28 pm
milton admirávelpor favor, brinda-nos com essas vindouras anedotas
às vezes os alunos mais “encrenqueiros”, geralmente os mais desinteressados, são colocados na mesma aula por aqueles q têm controle sobre isso.. não sei se é o caso…
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miltonribeiro Reply:March 13th, 2009 at 12:55 am
Hum… É o caso!
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2 comentários:

Milton Ribeiro disse...

Que blog original, grande idéia, Eduardo!

Eduardo P.L disse...

Milton,

suas postagens geram visitas e comentários que com certeza virão para este blog!

Forte abraço