Este blog existe para postar comentários de postagens de blogs alheios, que pelo interesse, humor, inteligência e graça dos comentários, ganharam estatos de post.

sábado, 11 de abril de 2009

100 cabeças do Rui Silvares


Piero Manzoni e a sua célebre merda enlatada em 1961
Sobre a postagem do 100cabeças, do blog do Rui Silvares, este comentário se destaca:
luisM disse...
RapazSilvares, caramba pá, quando se fala no mercado da arte,está-se a falar de leis de mercado, estritamente. Ainda por cima aplicadas a mercadorias em que é difícil estabelecer padrões de valor de troca, tanto aos objectos, tomados individualmente, e padrões de comparação entre objectos de diferentes proveniências (leia-se, construídos por artistas diferentes).
O valor de troca económico, parece referir-se ao valor intrínseco dos objectos de arte. Parece, apenas, acompanhando a projecção social dos artistas e das obras.
Mas segue todo o cálculo económico referente aos objectos de escassa quantidade, raros, com uma grande carga simbólica de diferenciação social, através da posse. Mas isto tudo pouco tem a ver com arte, e com a diferenciação qualitativa dos projectos, das poéticas e das problemáticas envolvidas.
A carga simbólica duns sapatos não é a mesma dum objecto de arte, que é de outra ordem e muito mais difícil de estabelecer (precisa de bastante mais tempo). Isto não se compadece com a rapidez da circulação financeira e com a urgência do retorno de dividendos.
Por isso essas notícias não passam de curiosidades anedóticas a que a gente assiste como se se tratasse dum espectáculo semelhante àqueles que espreitamos na TV, como os astros a pisarem a passadeira na entrada dos Óscares, e a gravidez da terceira princesa do Mónaco e coisas desse tipo.Nem são do nosso domínio, nem são muito interessantes. Puro espectáculo, em que existem pessoas que sacam umas lecas valentes, normalmente à custa da cabeça de outros (esta parte é que é menos interessante).Não penses mais nisso, bebe uma bica, com um cigarro lento, e começa a colar a notícia, após o que pintarás qualquer apóstolo por cima, agora que estamos na semana santa.Boas amêndoas!
Logo depois...
Silvares disse...
Eduardo, este LuisM sabe muito.:-)
Mas é como diz, merda ao preço do ouro é o que por aí há mais.LuisM, nesta notícia, o pormenor que me captou mais a atenção foi o do investimento dos executivos de wall street em objectos de arte contemporânea e a forma como agora se pretendem livrar deles. Realmente, investir em arte apenas pelo valor simbólico/económico deve ser uma tristeza. Com tantas obras deslumbrantes um gajo deve ser capaz de encontrar uma ue adquira pelo prazer ou o simples fascínio de poder contemplá-la.:-)
Boas amêndoas e cuidado com os apóstolos.:-)
4:37 PM
luisM disse...
Mestre, as coisas são assim, investe-se em arte, como em barras de ouro, como em propriedades. Olhando ingenuamente, porque é que o ouro é uma pedra de toque da riqueza? Por algumas das qualidades do metal, é certo, mas por convenção, tão antiga quanto as trocas comerciais. Uma das características é a raridade, que permite ao poder económico controlar e disciplinar(?) a riqueza. Não podia ser a madeira, nem mesmo o ferro, que é muito mais útil que o ouro. Em arte é o mesmo. Quando a gente fala do mercado da arte imagina logo Manet, Picasso e os Girassóis. Mas o mercado da arte, correntemente, não se alimenta disso, que está vendido e revendido e guardado. Alimenta-se pelos agentes, museus e pelas galerias, através do que vai saindo actualmente. Com o devido acompanhamento do aparelho da crítica mediática vão-se fazendo nomes. Mas tu sabes, tão bem quanto eu que, a partir do momento em que pões a ver qualquer coisa no interior daquilo que se chama campo da arte, as coisas fogem ao controle do artista. Seguem um percurso com uma carga sociológica muito marcada, que não é bem o do valor enquanto objecto de arte, intrinsecamente. São umas águas turvas, em que se tenta colar o preço ao valor intrínseco, para tentar reflectir e fundamentar alguma lógica de investimento (claro, com a caução cultural, que é o que se pretende, olha o Berardo, comendador). E por aí fora, isto escrito demora tempo...Estou bem de acordo contigo, adquirir porque se gosta de observar, ouvir, sentir, reflectir. Isso era o ideal, comprar descomprometidamente os objectos. Mas a ideia de investimento está infiltrada na mente do público. Quantas vezes elogiaram o teu trabalho? E quantas se resolveram em compra efectiva? Alguma vez pensaste nisso? Eu já, principalmente quando estou com pessoas (poucas) que até compram e de quem sou amigo. É esquisito, como se fossem dois mundos: um aquilo que é elogiado às vezes nas "vernissages" e depois a conversa seguinte do que se comprou... numa galeria. Coisas que um tipo nunca ouviu falar (sem menosprezo nenhum), mas que têm projecção muito restrita. Lá está, aparecem como produtos de mercado com cotação. E tu não tens cotação, a não ser a que lhe dás, porque achas certo. Mas isto para o "consumidor de arte" não é comprar bem, na "maioríssima" parte dos casos. Com este aspecto já deixei de me preocupar, cagando! E desculpa lá o texto, porque me perdi nas palavras. Pinta na mesma, pelo menos a mim podes ir mostrando.
11:35 PM

Nenhum comentário: