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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Profecia estética do BLOG 100cabeças, Do Rui Silvares


A arte abstracta é concreta e, pelos seus meios de expressão especiais, é até mais concreta do que a arte naturalista. Nos tempos futuros a obra de arte será substituída pela realidade imediata do mundo que nos rodeia (…). Mas, para o conseguir, é necessário que nos orientemos no sentido de uma ideia universal e que nos libertemos da tirania da natureza.Então já não teremos necessidade de quadros nem de esculturas porque viveremos dentro da arte tornada realidade. A arte desaparecerá à medida que a própria vida ganhar em equilíbrio.
Piet Mondrian
Mondrian acreditava que, um dia, haveríamos de atingir um tal estado de desenvolvimento ético que a obra de arte seria concretizada numa organização estética da sociedade humana. Imaginava uma espécie de super-humanismo capaz de relegar o objecto artístico para um plano secundário, sobrepondo-se, em todo o seu esplendor, um mundo tão organizado e límpido quanto as suas pinturas. Um mundo artificial, capaz de corresponder exactamente aos mais ínfimos anseios do ser humano.
Por enquanto a arte permanece e parecemos estar longe da utopia vanguardista de Mondrian. Alguma vez se realizará a sua profecia?
Publicada por Silvares

claudio boczon disse...
Este Piet dava nó em pingo d'água.Visionário sim, mas quem não o era naquela época em que a cultura dava pinotes sobre pinotes?
Beto Canales disse...
eu torço para que sim...
Eduardo P.L disse...
Eu sou um otimista por opção. Mas não acredito!
Silvares disse...
Claudio, tens razão. Nos nossos dias a cultura deixou de espinotear. Parece uma múmia paralítica. Deve ser a anestesia do dólar. Beto, talvez dentro de 500 gerações... :-P
Silvares disse...
Eduardo, custa a crer, mas lá que é uma utopia bonita...
jugioli disse...
A modernidade precisa ser repensada, se ela é o transitório, o fugidio, o contingente, ou seja a metade da arte, sua outra parte sempre será o eterno e o imutável, como sempre.... e Mondrian soube pensar e agir essas sobre essas duas partes.@dis-cursos
luisM disse...
Sim, mas apenas na tua cabeça! Agora vê lá no que te metes, senão a cabeça explode!A arte e a vida em uníssono, ó mestres gregos que nunca nos deixais, e a arte materializada substituída pela ideia de arte, ó que ricos tempos hão-de vir e a humanidade chegará ao Olimpo, que é em toda a Terra, pois os deuses tornar-se-ão nossos iguais.O melhor é não pensar demasiado nisso, senão desatamos a chorar e, de cena épica, passamos ao queixume lamechas!Para viver prefiro o rectângulo amarelo que fica a meio, descaído para a direita (não a política, a da tela).Pim!
Caçador disse...
Eu acho que o sr. Mondrian com tantos rectangulos e quadradinhos que fez, ficou ele também um bocadinho quadrado. (Sempre me fez impressão essa coisa das utopias... levadas ao extremos são extremamente perigosas...)Um mundo tão perfeito que não precisa de arte, não é mundo, é um aborrecimento monumental. Faz-me lembrar quando era puto e o padre da aula de religião e moral nos tentou explicar a sua noção de paraíso. Para ele seria um lugar onde, de tão cheio da graça de deus, não seria mecessário fazer nada, "mas nada, nada mesmo" perguntei eu, "nada, é um lugar tão cheio de senhor, que só o facto de estarmos banhados na sua graça é mais do que suficiente para nos sentirmos plenos", e eu " mas isso deve ser uma ganda seca".Pôs-me na rua.
MUMIA disse...
UTOPIAS..."HEAVEN, Heaven is a place,a place where nothing,nothing ever happens."Talking heads>.< Valdemir Reis disse...
Olá Silvares é sempre com grande alegria que visito este importante espaço. Honrado e feliz. Quero agradecer sua amizade. Muito obrigado! Certo estou quando um amigo nos acompanha nenhum caminho é longo demais e vamos além, também que a amizade é como as estrelas, embora não vendo toda hora sabemos que existem. Parabenizo você pela harmonia e qualidade deste trabalho. Grande tema, ótima escolha, excelente texto, lindo visual, uma preciosidade de arte, gostei. Valeu ter passado aqui. “Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina. Encontrar-nos-emos sempre por aqui. Aguardo sua visita, passa lá! E volte sempre! Tenha uma agradável e feliz semana de grandes realizações. Muita paz, brilho, proteção e sucesso. Tudo de bom, muita prosperidade... Fique com Deus. Forte e caloroso abraço.Valdemir Reis
disse...
...ora....tendo a concordar com o que tão bem caça por aí!Um mundo perfeito? Mas o que faríamos nele? ...como sabemos, caviar todos os dias....!!!e repito esta ótima expressão que não nos é corriqueira ...uma grande seca! ;-)
Silvares disse...
Ju, Mondrian pretendia encontrar o universal, logo imutável. Na verdade, depois de ter viajado para Nova Iorque e aí se ter estabelecido, entrou noutra fase da sua obra. As últimas telas dele, a célebre Broadway Boogie-Woogie, por exemplo, apontavam outro caminho visual e plástico. Quem sabe iria saír dali outra perspectiva da vida e do mundo? Nunca saberemos porque entretanto Mondrian morreu. Pneunomia.LiusM, pessoalmente gosto de reflectir sobre estas ideias. Tal como Mondrian pretendia encontarar uma forma de expressão plástica pura, também estes conceitos tendem a ser absolutamente puros. Isso faz com que sejam algo desfazados da realidade, que não se compadece com pureza de espécie nenhuma. Mas a possibilidade de aproximar a ética de um conceito estético parece-me uma excelente ideia e não tão absurda quanto isso. Fica o campo aberto à reflexão. Caçador, li algures que "todos sabemos que o Paraíso é um óptimo lugar para visitar mas ninguém deseja ficar por lá". É tipo uma estância de férias. Enquanto lá estivermos procuramos não fazer nada. No final das férias regressamos ao inferno do mundo real cheios de genica! Também vejo a pintura e as ideias de Mondrian mais ou menos assim; óptimas para contemplar e reflectir mas pouco práticas para utilizar no mundo "real".MUMIA, bem lembrado. Há outro versinho do mano Byrne que eu gosto e tem algo a ver com tudo isto. Não sei qual é o tema (Girls on my mind?) e diz "I'm the star of my own movie". That's it!:-)Valdemir, terei todo o prazer em visitar os seus blogues com maior atenção (passei por lá agora mesmo, de fugida). Seja como for quer-me parecer que a minha perspectiva do mundo e da vida são bastante distintos d sua. Estou longe de encontrar Deus. Muito longe mesmo. Na verdade não ando à procura Dele.Ví, o Caçador (como acontece com frequência) tem razão. Talvez o problema sejamos nós que não estamos preparados para o Nirvana (não estou a falar "dos" Nirvana do Kurt Cobain:-). Mondrian, surpreendentemente, era um homem com uma vontade extraordinária de ouvir música e de... dançar! Ficou célebre a sua capacidade inesgotável de ouvir e dançar Jazz. Ao que parece, adorava inventar passos de dança malucos e que muito surpreendiam aqueles que com ele conviviam. Estranho não?:-)
MUMIA disse...
Alguém referiu o meu nome????tb quero ser estrela....e ninguém me visita...carago!!!:-))
Silvares disse...
brilha, brilha estrelinha... queres que o pessoal se desloque ao teu mausoléu?

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