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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Macaco e Coelhinho

Post MACACO do blog 100cabeças
AQUI

8 Comentários

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Blogger Beto Canales disse...

perfeito!

2:33 PM

Anónimo luisM disse...

Silva de ares, já não vinha aqui há uns tempos, e não tive oportunidade de ver/ler a tua viagem esplendorosa. Agora não tenho tempo de comentar com calma, vou apanhar um bocado de chuva suíça. Mas as questões que colocas e que já colocaste levam-me sempre a uma ideia: as pessoas a quem isto interessa de facto, deveriam encontrar-se sem ser na net. Porque, se escrever não é má ideia e suprimimos as distâncias, encontrando gente insuspeita (no sentido de gente que não conhecíamos e que podem participar na conversa), mas uma troca de impressões a sério torna a escrita num grande discurso que também afasta os leitores e leva a que os discursos fiquem, tendencialmente, simplistas, contribuindo para baralhar a argumentação. Sem dúvida, no nosso espaço há um défice de discussão ponderada, informada. No que me é dado observar é tudo bastante superficial, exactamente como criticas a atitude do público num museu, mesmo entre quem se intitula de artista e tem actividade regular nas diferentes áreas da "arte".
A arte deve ser acessível a toda a gente, faz parte do seu objectivo e destino actuais, num mundo que se tornou novamente democrático (mesmo para quem tenha críticas a fazer às insuficiências do exercício democrático por parte de todos os seus agentes), mas parece-me utópico pensar que a maioria da população reconheça a sua importáncia mais profunda. O mundo da arte não se separa do mundo das vivências quotidianas embora não seja exactamente a mesma coisa. Os hábitos de vida, são os que se tendem a praticar nas diversas situações, como sabes. Apenas uma mudança de atitude, mais educada (aqui entram as famílias e a escola e os media e o discurso político e por aí fora), pode levar a uma mudança de atitude conforme os contextos. Na sociedade de consumo tudo se equivale e a conduta tende a ser semelhante, porque as coisas valem o mesmo: beber uma imperial vendo futebol é o mesmo que entrar numa retrosaria ou num museu. A arte deve ser democrática no acesso, mas será sempre elitista na apropriação. Parece um paradoxo, mas, quanto melhor forem os seus agentes, essa elite, mais a sua influência se espalhará junto do "povão". No fim de contas, a mim não me repugna que haja gente distraída nos museus (desde que me deixe curtir à vontade). Quer dizer que eles existem e que as pessoas passam por lá, mesmo que seja como numa loja de novidades. Seria pior se os locais da arte estivessem sempre às moscas, destinados a meia dúzia de "iluminados" à beira da morte, repetindo ideias cheias de bolor. Os acontecimentos da vida são dinâmicos, surgem e caminham para qualquer sítio, logo podem ser mudados,e mudam-se, para melhor ou para pior...

Pronto, este discurso não está acabado, mas fica por aqui, para não te encher a casa de palavras, continuamos depois...

5:08 PM

Blogger Silvares disse...

Beto, eu prórpio não diria tanto. A perfeição é a curva da coxa de uma estátua de mármore bem polida.
:-)

Luís, também me parece que a coisa faz mais sentido com os gestos e as caretas a ajudarem a leitura. Mas o elitismo da arte não tem que ser uma fatalidade, principalmente numa sociedade democrática onde a informação rodopia como uma bola de snooker à procura do buraco. Vai sendo tempo de interpretar a arte como parte integrante da sociedade global. É por pensar assim que considero o amigo Banksy um dos maiores artistas da actualidade. A gente depois continua a conversa. Por agora curte aí a chuvinha suíça que deve ser mais certinha e aprumada que a nossa, gorda e bruta, a caír à toa...

6:37 PM

Blogger Eduardo P.L disse...

Silvares, quem é o LuisM. Tenho uma especial predileção por esse nome. Me explico: havia aqui no Brasil um cronista chamado Luiz Martins que assinava uma crônica diária, num dos grandes jornais em são Paulo. Assinava LM, e eu era seu leitor diário, e admirador saudoso.
Escrevia bem como o faz seu amigo LuisM. Gostei do que disse e de como o disse. Realmente os nossos comentarios na blogosfera andam muito ligeiros e superficiais. Entende-se, há falta de tempo, ou excesso de blogs a comentar. Mas concordo com ele, e com você, quando dizem "A arte deve ser democrática no acesso, mas será sempre elitista na apropriação". Não resta dúvida. E também, como ele, não me importa em nada os visitantes de museu, que andam por entre as obras como num parque temático, ou shoping da esquina! Melhor os museus com eles, com milhares de crianças e seus professores e guias, do que museus às moscas!
O que me parece estar fazendo falta no momento artistico que vivemos, é de gente que faça barulho, ruido, com coisas novas! Tanto é assim, que estou revendo os artistas do século passado, e tendo uma enorme saudade! Alguns, na época nem me emocionavam, mas na falta de melhores, hoje, considere-os uns gênios. Enquanto isso os "macacos engordam"!

11:34 PM

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Blogger Selena Sartorelo disse...

Será que é isso mesmo? Penso nisso diariamente, pois adoraria saber falar o idioma de muitos, mas isso não é possível enquanto não conseguir ouví-los, e às vezes numa simples roda de amigos percebo quantas línguas diferentes são ditas.
Sabe (esse sabe ficou pior do que o viciado e vazio "mas") quando vejo as maioria que diz fazer arte para a maioria. Perdão mas isso não é arte é?...pretensão em afirmar, claro; sou uma pessoa vulgar. Agressão em desafiar? Não. Não ousaria tal ridículo.
Simplesmente constato que tua arte alcança o vulgar sim.
A arte de cada um.
A preocupação em ter ouvido alguém dizer que gostar de arte é bacana e mesmo sem entender bulhufas acha o máximo (esses são desprezíveis, pois põem-se a repetir o tal livreto, mas vc pode surprender-se com alguém que pensa por conta e risco. A arte precisa ser vista, não pode ser induzida, a arte é pra ser sentida, pensada...e não consumida como uma futilidade desnecessária.
Hoje tudo virou arte. mas tem muita coisa que não é e muita que é, qual é qual?
Não trata-se de gosto, mas de sentido.

Ainda mantenho meus sentidos na arte passada e tem muita coisa que eu não gosto também. A arte está sempe relacionada a grandes movimentos e nesse tempo o grande movimento é o pensamento sem precedentes.

Tome-me por irracional, porém não confunda-me com a pieguice.
Quando falo de arte, falo de vida em todas os seus aspectos , dimensões e sentimentos, falo de física de opinião, filosofias e suas expressões, falo de vozes sensíveis aos lados que as coisas tem , as partículas não vistas e aos conceitos estabelecidos, mesmo os não conceitos que são um pratica limitada na ignorância. Falo nada! Não falo em nome de ninguém.
Falta o respeito, respeito pelo teu pensar, e o meu.
Tenho que lidar com a pressa, com a velocidade das coisas.
Começo, meio e fim de cada vez é por esse momento em que entendemos esse tempo.
Eu diferente de vocês, odeio estar num lugar que gosto e se estou para conversar, estou para conversar. Mas se vou para apreciar então quero apreciar e pensar, Não é pensar certo, pensar errado, um momento que meu pensamento faz silêncio. Mas depende do museu, tem museu que vc interage com a arte, pode, deve, faz parte da proposta. Outros não.
Enquanto isso o povo esta mais é muito mal alimetado de arte por não fazerem a menor idéia do que isso seja...mas de realyt pode perguntar sobre qualquer um que eles vão saber responder.


beijos,

5:06 AM

Blogger Rui Sousa disse...

O amor é feito muitas vezes de excessos ( quase sempre ) e embora todos saibamos que gostar não dá titulo de propriedade, nunca conseguimos pensar assim no momento em que defendemos/ falamos do objecto amado. É óbvio que a arte é importante para o mundo, mas a arte não é o mundo. Como diria o outro “ Há mais coisas no céu do que a tua vã filosofia imagina “. Esta é uma frase sábia, concordarão comigo. O mundo sempre foi composto de muita coisa e o meu desejo sincero é que deveria haver sempre espaço para essas diferenças, nas proporções devidas, claro está. O mundo não acaba por haver quem vê a arte por este ou por aquele ângulo ( ou mesmo sem ângulo nenhum ou por todos os ângulos ). O que é que sabemos nós das pessoas que se passeiam pelo Moma? São felizes, infelizes, divorciadas, viúvas, órfãs? Têm todas o mesmo tipo de ansiedades e inquietações? Se não têm deveriam ter? Quem é que nunca se passeou por um museu simplesmente pelo prazer de se sentir ali bem ( tipo retiro espiritual ) mas com a cabeça noutras latitudes. Não me parece que daí venha mal ao mundo. As coisas existem, e é bom que existam. A forma como cada um as consome não deveria fazer parte das nossas inquietações. Em relação aos artistas macacos, é isso mesmo, são artistas e macacos ( cada macaco no seu galho, portanto ), mas o tempo, esse sim, verdadeiramente macaco colocará tudo, depois, no devido lugar, deixando-nos no fim dos fins confrontados com a terrível verdade ( máxima indiscutível ) de que na vida tudo passa. Acho que ainda estou na fase de achar que não posso viver sem arte, mas cada vez mais me lembro da Sofia de Mello Breyner quando por fim dizia “ O que eu gosto mesmo é de ver o mar “.

Não tenho por hábito navegar na blogosfera mas alguma utilidade isto há-de ter…quanto mais não seja para reencontrar antigos colegas esbalenses.
Viva Silvares……. e parabéns pelo trabalho

11:33 AM

Blogger Silvares disse...

Caríssimos comentadores, fico sensibilizado por partilharem neste espaço tão aberta e completamente as vossas perspectivas sobre uma questão como esta. De tal maneira que o meu comentário aos vossos comentários é o post acima deste. Um "post coelhinho", como poderão constatar.

1:59 PM

Anónimo luisM disse...

Pois, abrindo a porta e deixando os convidados entrar na sala em penumbra, com o ruído do exterior abafado pelos vidros da janela e a televisão apagada, começam a surgir pensamentos engraçados. Esta casa é do Silvares, ele que sirva as bebidas e modere a conversa :), se for capaz :)), antes de chegar à reforma! :)))

No meu ponto de vista, foram ditas coisas muito curiosas atrás, mas, não me sendo possível (sem abusar da paciência do nosso anfitrião}, comentá-las, gostaria de referir o texto de Rui Sousa, sobre a apropriação individualizada dos espaços.

É um facto em que estamos numa época que valoriza a iniciativa e a liberdade do indivíduo. A normatividade tende para a fluidez, ou pelo menos para a adaptação às circunstâncias, aos indivíduos ou aos colectivos. Também penso que não é necessário ir a um museu para ver a colecção de enfiada e voltar lá vinte anos depois, para fazer o mesmo. Actualmente este é o modelo turístico de índole cultural: vai-se lá e arruma-se a coisa. Podemos entrar para ver uma peça apenas e gastar com ela o tempo que o público normalizado, numa visita de pacote, gasta com toda a colecção. E podemos simplesmente estar lá, como disse Rui Sousa. Mas o que criticam os outros intervenientes (penso), não é o estar, mas o confundir os espaços, o agir no seu interior como noutro sítio qualquer. Os espaços existem com determinados objectivos, para determinados propósitos e pressupõem determinado tipo de utilização individual e social. Por isso é que no seu projecto e execução trabalham, em princípio, especialistas, que pensam num sentido a atribuir a essa organização urbanizada. É claro que o público se apropria dos espaços públicos de acordo com a sua ideologia e o seu imaginário referencial e simbólico. Mas o que se passa na sociedade do turismo de massas normalizado é a confusão, a desinformação e a pouca educação que as massas (hoje público) possuem para entenderem as especificidades dos espaços e serem capazes de definir os seus limites e o âmbito da sua "actuação".

Dito de outro modo, ir a um museu não é o mesmo que ir a um estádio de futebol, ou estar no café. Não é uma questão de liberdade individual a ser posta em causa, é uma questão de entendimento do espaço urbano (que pode ser bem desenhado ou mal) e de agir em conformidade. E o que se passa frequentemente, à pala da liberdade, é que muita gente sem essa sensibilidade desenvolvida, tende a uniformizar a confundir e a agir segundo padrões de comportamento (normalmente pobres) idênticos em todas as situações. Com atender calmamente o telemóvel no cinema, ou comer pipocas e chupar a Pepsi-Cola até à última gota, e por aí fora, como se estivesse no seu espaço privado. Não é o problema de dormir no cinema, é o de ressonarem sem se importarem com isso, como se pagar o bilhete lhes tivesse dado esse direito e mais o de cuspirem no chão ao acordar. Como é evidente, nada disto diz directamente respeito ao entendimento dos objectos de arte, mas ao estar nas coisas com ALGUM propósito.

Ena que comprido que isto está. É da chuva que não me deixa sair!

Desculpa Silvares!

Ps: Olá e obrigadoske Eduardo.

O autor do post RUI SILVARES respondeu às questões num outro post:
Post COELHINHO
O meu anterior post, o Post Macaco, foi comentado de forma muito interessante por vários visitantes do 100 Cabeças. De tal maneira que resolvi responder aos comentários criando este post, um post sem o atrevimento do macaco, antes com a atitude dócil e compreensiva do coelhinho.

Antes do mais queria deixar bem claro que as minhas posições perante o fenómeno da criação e fruição dos objectos de arte não pretendem ser absolutas nem imagino que possa haver uma forma única de encarar a situação. Neste campo sou adepto confesso e devoto do grande mestre E. H. Gombrich que afirmou, na introdução da sua magistral História da Arte que "Não existe algo a que se possa chamar Arte. Existem apenas artistas." Se tomarmos esta afirmação como ponto de partida, muitas questões, aparentemente complexas, encontram uma resposta desarmante de tão simples. Deixamos de ter dúvidas sobre o que é ou o que não é arte. Uma vez que não existe, nada é arte e tudo pode sê-lo desde que seja resultado da actividade de um artista.

Esta perspectiva da coisa coloca o espectador no centro da questão. O espectador completa a obra. Cito Gombrich mais uma vez: "De facto não penso que existam quaisquer razões erradas para se gostar de uma estátua ou de uma tela. Alguém pode gostar de uma paisagem porque lhe recorda a sua terra natal ou de certo retrato porque lhe lembra um amigo. Nada há de errado nisso. Todos nós, quando vemos um quadro, somos fatalmente levados a recordar mil e uma coisas que influenciam o nosso agrado ou desagrado. Na medida em que tais lembranças nos levam a fruir do que vemos, não temos que nos preocupar. Só quando alguma recordação irrelevante nos torna preconceituosos, quando instintivamente voltamos costas a um quadro magnífico de uma cena alpina, porque não gostamos de alpinismo, é que devemos sondar o nosso íntimo para desvendar as razões dessa aversão que frustra o prazer que, de outra forma, poderíamos ter tido. Também existem razões erradas para não se gostar de uma obra de arte." O espectador é, em larga escala, responsável pela existência da arte. Daí que, no Post Macaco, me tenha insurgido um pouco contra aqueles que se comportam com indiferença perante o objecto artístico. Talvez o problema seja mais a forma como, com espectadores deste género, a arte se vê impedida de existir ou, pelo menos, impedida de acontecer. É também por isso que sou levado a considerar que talvez alguns artistas sejam responsáveis por esse alheamento, quando criam objectos de tal modo encriptados que não permitem ao espectador ir mais além do que a superficíe da obra. As pessoas olham mas são incapazes de ver. Talvez isso devesse contribuir para que o artista repensasse a sua atitude criativa. Ou não. A criação artística ou é totalmente livre ou não é nada.

Como este post é Coelhinho, estou a tentar ser o mais consequente e brando que me é possivel, o que me leva a escrever de uma forma algo diferente do habitual e que, confesso, me está a complicar o sistema comunicacional.

Para concluir (que um post tão longo é mais chato que um discurso do Presidente da República numa cerimónia de inauguração de um infantário) queria deixar uma palavrinha particular a cada um dos comentadores.

Beto, como te disse, a perfeição é uma coisa que só existe na mármore.

Luís M, a nossa conversa é interminável e dinâmica. Continuamos depois. Assim como assim sempre te digo que tens toda a razão em afirmar que a arte é elitista mas, nos tempos que correm, democráticos e tudo, talvez tenhamos de reflectir de novo sobre o significado da palavra "elite" e respectivo conceito.

Eduardo, antes do mais esse Luís M aí em cima é meu colega, professor na mesma escola e na mesma área que eu. Clicando aqui encontras um post antigo em que anunciava a inauguração de uma exposição em participámos ambos. O "M" é de Miranda (Beto, neste post está o tal desenho intitulado Knock) e podes encontrar aí duas reproduções de trabalhos dele. Quanto ao barulho nos museus estou totalmente de acordo contigo. Um museu não pode ser um cemitério de obras de arte. Terá de ser outra coisa.

Selena, penso que as citações de Gombrich vão de encontro às questões que colocas. Toda a gente sabe o que pensar sobre um objecto de arte. Tem é de se dar ao trabalho de pensar, o que nem sempre acontece.

Rui, esse Shakespeare era um grande macaco :-) o tempo não o colocou num galho, acabou por lhe oferecer uma floresta inteira! Já a citação de Sophia leva-me a recordar a ideia de Mondrian que citei neste outro post, um dia a arte vai ser desnecessária pois a vida ganhará beleza suficiente. Isto partindo do princípio que a arte é a criação da beleza mas isso são já contas de outro rosário...


Concluo dizendo que, pessoalmente, considero que o artista tem um papel socialmente interventivo que não deve ignorar quando se dispõe a criar objectos de arte. Esta consideração será tema para futuros posts aqui, no 100 Cabeças.


7 Comentários

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Blogger Eduardo P.L disse...

Rui,

antes de mais nada, devo dizer que os comentários anteriores e este post, resposta são dignos do BLOG :
http://comentariosque.blogspot.com/
e para foram. Os comentários aqui póstos, complementarão a postagem lá! Desde já agradeço a amabilidade de cede-los!

Gosto mais do seu estilo MACACO de expor suas ideias, por mais complexas que sejam, e por mais rude que possa ser seu entendimento.
Esta explicado quem é o LuisM. Foi um prazer conhece-lo, e será um prazer acompanhar seus textos e obra! Ele sabe das coisas!
Quanto ao texto Coelhinho, as citações matam de vez qualquer charada. Resumem magnificamente tudo que pensamos e acreditamos ser arte, e artistas.
Continue na mesma linha, pois essas abordagens dão margem à ótimos comentários, que são, ou serão posts!!!!! srsrs
Espero que não tenha passada a chuva na Suiça! Assim teremos mais comentários!

4:41 PM

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Blogger Silvares disse...

É, Eduardo, a pele do macaco fica -me melhor que a do coelhinho.
:-)
O Luis tem razão ao afirmar que as pessoas devem é falar de viva voz. Mas a verdade é que estamos um pouco longe e este método também não é mau.
É também interessante verificar como este género de tema dá tanto que dizer e pensar a tanta gente.
Um abraço.

8:04 PM

Anónimo luisM disse...

Amigos, agora prometo ser muito breve, embora deva reconhecer que às vezes falho no prometido. Mas está-se bem, vem aí um chá de camomila, estou de frente para o lago e estive a ouvir um disco muito interessante e algo complicado do Evan Parker.

A disposição é óptima e são apenas duas da manhã... Boa altura para conversar calmamente...

Com o Gombrich não me meto, senão ficava aqui a noite toda e faltava ao prometido.

A questão do elitismo na apropriação dos objectos de arte! Queria com isso dizer mais ou menos isto: para se fruir, intuir ou entender as propostas artísticas é necessário algum conhecimento e experiência activa.

Tal como as outras coisas na vida.

A especificidade deste problema na arte é que as particularidades dos outros campos de actuação humana tendem a ser entendidas como horizontais, ou seja, pertença de grupos sociais determinados. Por exemplo confia-se no médico, aceita-se o seu diagnóstico como certo. Se o doente morrer sabe-se que o trabalho foi mal feito, mas os juízos de valor não contemplam uma crítica sobre as práticas, os processos, nem alternativas aobre a actividade do especialista.

A arte partilha também desta perspectiva, mas é uma actividade que estravaza o grupo de especialistas, é, transversal. E por isso toca todos os grupos sociais, porque tem a pretensão de construir as representações simbólicas das épocas e das sociedades.

Por isso é que toda a gente tem opininões sobre os objectos artísticos, reconhece importância à arte e aos artistas (mesmo que não lhe dedique grande atenção, ou apenas consuma subprodutos, mas mesmo neste caso está consumindo um sucedâneo que, para o público pouco informado é a "arte" a que consegue aceder. Na outra arte sente-se perdido e, a seco, não lhe serve para nada). Apenas as pessoas que trabalham, fruem e pensam no fenómeno artístico com constância, poderão entender ou intuir mais profundamente o que lhe é dado a ver, ouvir e por aí fora. Passando por estes aproxima-se do público mais vasto, ordenado por estratos sócio/económico/culturais fluidos. Portanto as elites de que falava são de carácter cultural e transversais à estratificação social normatizada.

Tal como defendi ontem, a arte deve ser acessível a toda a gente, porque dessa "toda a gente" sairão aqueles que melhor dela se aproximarão, como praticantes ou como tu dizias "apaixonados". A arte deve ser sempre democrática, estar disponível, mas dá-se exigindo disponibilidade, atenção e descomprometimento. Aí pode revelar-se.

Mas o mesmo não se passa com as pessoas?

Pela nossa prática de vida verificamos que apenas um reduzido número de pessoas se torna disponível, é essa a elite. O resto é propaganda.

Quanto ao que dizes, que a arte deve ser acessível ao maior número de pessoas. Mas toda a gente pretende isso, artistas e público! Apenas os diletantes, os "aristocratas" burgueses das classes médias e os vazios pretenciosos acham que a arte deve ser uma espécie de confraria ou sociedade iniciática. A questão é que nem sempre se pode ser tão claro (não quero utilizar o termo óbvio). Mas esse é um falso problema, porque a arte é o conjunto dos objectos que estão à nossa disposição. Uns são mais fáceis de aceder, outros mais difíceis, outros fáceis e difíceis simultaneamente. Mas há lugar para todos desde que a prática seja honesta. Porque é na interacção do público com as diversas propostas artísticas, que se cruzam entre si também, que os objectos fazem sentido. Gogard é mais difícil, ainda hoje, que o Tarantino, mas este, como discípulo, ajuda a compreender o primeiro e a realçar-lhe a importância.

A liberdade da arte, para além da liberdade de a "fazer", é também a liberdade de lhe ouvir o discurso e de o confrontar. E neste jogo existem coisas mais claras, ou fáceis de aceder e outras mais difíceis. Cabe aos agentes da cultura falarem com as gentes, através das obras e através das palavras.

Acabei, e fui, como prometi, bastante breve. O chá estava no ponto de sabor e temperatura e agora vou fumar um cigarro, ao fresco.

Adeus!

3:29 AM

Blogger Rui Sousa disse...

Ora aqui está um bom exemplo, do que são as conversas ( mesmo as que se têm pelos caminhos transversos da cibernáutica ), todos sabemos como começam e nunca sabemos quando acabam. Eu, confesso, sou fascinado por esta omnipresença da realidade que a internet possibilita ( se é que isto se pode dizer assim, desta maneira ), conseguir ter as cem cabeças sem as cabeças é obra ( mas eu ainda hoje me fascino com o telefone….não há nada a fazer ). Perde-se muito pela ausência física do corpo, ganha-se por outro lado no sumo dos conteúdos. Isto é de facto uma vantagem para a troca de ideias mas, lá está, a realidade tem um apelo diferente…e para mim, mais irresistível, que é a partilha dos momentos. A arte é importante, sem dúvida, mas, é engraçado, quando penso nas coisas boas da vida ( e nas piores também  ) o que vem em primeiro lugar à cabeça são momentos que partilhei com outros e nunca os livros, as músicas, as pinturas, daí ter referido esse grande macaco ( e que macaco ) que como disseste e muito bem acabou por ocupar a floresta toda só para si. De facto há mais coisas no céu mas pensar sobre isso, se calhar, é afastamo-nos um pouco da discussão inicial ( e eu não queria carregar essa responsabilidade  ). A nossa obsessão pela obra faz-nos esquecer, ou melhor querer ignorar o criador. A história está-se marimbando para o facto de o Picasso ter sido um tipo com carácter ou não ( e, atenção, estou a referi-lo sem nenhuma espécie de insinuação ), o mesmo se pode dizer de todos os que ficaram para a história por terem produzidos obras fantásticas. O facto de as terem produzido carimbou-lhes de imediato o passaporte para a eternidade ( neste caso para a floresta ), enquanto que outros que produziram bosta ( não porque gostassem de a produzir, mas por incapacidade de fazerem coisas brilhantes ) mas que até se esforçaram por ter uma vida decente ( e esteticamente decente ) tiveram que se contentar com os galhos.
A arte é uma coisa admirável, porque tão depressa nos dá o paraíso polinésio como de repente nos puxa o tapete. A arte tem esse dom de nos agitar as águas e de nos despertar a inquietação, mas não nos esqueçamos…não é a vida, é apenas uma parte dela. Se eu disser que não trocava um bom momento com amigos por uma obra de arte feita por mim, estou a ser sínico e falso, mas receio bem que no fim da vida depois me venha a arrepender. A arte também é uma velha macaca…e que macaca.
Posto isto acho que concordo um pouco com tudo o que aqui foi dito mas parece-me que levei este comentário um pouco para fora daquilo que se estava verdadeiramente a discutir ( ou se calhar não ), mas que deve ser entendido apenas como um desabafo. Quando citei a Sophia, de facto, não pretendi dizer que espero que a natureza um dia venha substituir na minha/ nossa vida, a importância da arte mas antes que funcione como um refugio espiritual, uma fuga à permanente busca de inquietações que a arte ( e bem ) nos provoca. Uma espécie de regresso à simplicidade das coisas …..afinal, tão simples quanto isso.

11:37 AM

Blogger Eduardo P.L disse...

Ao LuisM, que toma chuva ou toma chá, quero concordar com o conjunto do breve comentário, mas fazer uma observação: democrático deve ser o agente ( museu, galerias, praças) onde as artes são expostas, não necessariamente a obra do artista! Como disse Braque, o bom artista esta sempre à frente de seu tempo, e portanto de costas para o espectador!
Quanto ao que disse o Silvares: "Deixamos de ter dúvidas sobre o que é ou o que não é arte. Uma vez que não existe, nada é arte e tudo pode sê-lo desde que seja resultado da actividade de um artista". se tomarmos ao pé da letra, a latinha de merda, é ARTE sim senhor!
Vou ser breve, e sem chá, paro por aqui.

11:40 AM

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Blogger Eduardo P.L disse...

Só li este seu último ( e será?) comentário, depois de ter escrito o meu, e preciso voltar para dizer que estou completamente de acordo quando diz, que é preciso se conhecer melhor a vida do criador, além da sua obra, propriamente dita! Sempre tive muita curiosidade pelas figuras humanas dos artistas. Como e por que eram como eram, e se isso tinha a ver com o resultado artístico da obra. Coincidentemente estou postando fotos desses artistas, no momento. Em alguns casos só me dei conta da importância da obra, depois de conhece-la melhor. A figura e comportamento do artista
não me agradava, e isso me distânciava da sua obra. Falo de salvador Dali. Depois de uma visita a Cadaqués mudei completamente minha opinião.
Basta!

12:27 PM

EliminarRui Sousa disse...

Já agora, onde se lê sínico, no meu comentário, deve ler-se ( como é óbvio ) cínico.......ops]



Anónimo luisM disse...

Ena pá, esta conversa vai comprida! O RapazSilvares nem diz nada, deve estar a pensar que se meteu com pessoal que lhe não larga a perna!
Mas deixa-me só dois comentariozinhos.

Eduardo, estamos a falar com pontos de vista idênticos (ou quase). Os objectos de arte devem estar à disposição de todos, este é o trabalho dos agentes culturais. Mas o seu aspecto democrático não se reduz às instituições, refiro-me mais ao aspecto intrínseco, o de ficar exposta para a nossa fruição, para o questionamento, a reflexão... Neste aspecto, ainda mais que no outro, a arte destina-se a toda a gente, sem excepções. Todas as apreciações farão parte do sentido último dos objectos de arte, mesmo a mais ingénua e a mais simples.
Muito frequentemente quem se exclui é o público (mesmo quando está na sua presença).

Ao Rui Sousa. No meu caso, existem obras que marcaram a minha vida e cuja fruição originou um conjunto de momentos marcantes, que estão vívidos na minha memória. Era uma outra conversa, mas acabei nas Belas-Artes por causa disso mesmo.

Eu também penso que a actividade ligada às artes não deve ser uma espécie de devoção religiosa, em que os artistas vivam em reclusão, obsecados pelo seu trabalho. Conheço uma ou outra pessoa assim e é gente doentia, muito angustiada ou auto-satisfeita, com um discurso circular, confuso e obsoleto. Claro que os artistas, são como as outras pessoas. mas porque seriam diferentes?

Quanto aos nomes de referência e os que não são. Se entendermos essa coisa fora do prisma pessoal e da mitificação feita pela sociedade de consumo, e perspectivarmos pela organização dos factos históricos e um modo de estruturar uma história das artes, podemos entender essa gente como marcos no conjunto do devir histórico. Referindo o exemplo do Picasso, como pessoa, nunca me interessei muito, mas representa e simboliza uma época histórica, incontronável na arte mais recente. As pessoas são outra coisa!

Até logo!

5:30 PM

Blogger Ví Leardi disse...

.....caríssimos...nestes e nos de baixo tudo é conversa de 'gente grande'...pois não me meto...mas como aprendo! Obrigada!!